terça-feira, 21 de agosto de 2007

"Céu de São Pedro" - Aeroporto de Congonhas




"Céu de Brigadeiro", ao contrario do que se possa imaginar, não há "brigas" nem trabalho árduo para o piloto. É assim chamado em virtude dos aviadores militares da Aeronáutica, fazerem alusão de que os aviadores da patente de Brigadeiros, já estão idosos e não suportariam voar em condições meteorológicas adversas. Dai quando não há nuvens, chuvas nem vento forte, diz-se que o "Céu é de Brigadeiro".

"Céu de São Pedro", este santo não gosta de pilotos de avião. Quando este santo decide testar os conhecimentos do "Ás Indomável", os 5 sentidos humanos precisam de mais alguns reforços para que a provação seja vencida.

Sistemas de Pouso por Instrumentos de Precisão são vários. O Instrument Landing System - ILS, as funções básicas de pouso de uma aeronave sob condições meteorológicas adversas, são categorizadas.

O sistema ILS tem 6 Categorias de PRECISÃO que dependem da ALTURA mínima na descida e da DISTÂNCIA de Alcance Visual da Pista na Altura Mínima.

Nos aeroportos de New York (KJFK) nos Estados Unidos, Heathrow (EGLL) na Inglaterra, Charles de Gaulle (LFPG) na França e muitos outros na Europa e Estados Unidos, utiliza-se o ILS Categoria 3c.

O avião será conduzido até o toque na pista sem que os pilotos vejam coisa alguma do lado de fora da aeronave e a operação completa é feita pelo Piloto Automático, que na gíria dos aviadores britânicos é chamado "George". Alusão ao santo padroeiro da Inglaterra, que espiritualmente, supõe-se, que ele tome conta desta operação feita às cegas por humanos dentro de uma aeronave com dezenas de toneladas voando descendo a mais de 180 Km/h em direção a uma "tira de asfalto" que somente é vista pelos instrumentos de bordo.

No Brasil somente os aeroportos de Guarulhos (SBGR) e Galeão (SBGL), usamos o ILS Categoria 2 que é menos PRECISO por depender da acuidade visual do piloto quando estiver na altura de 30 metros na Rampa de Planeio. Se os pilotos não virem a pista na altura de 30 metros, deve cancelar o pouso imediatamente, arremeter ( subir ) e tentar novamente. Nesta categoria o pouso é sempre manual.

No aeroporto mais movimentado do Brasil, CONGONHAS (SBSP), usamos ILS Categoria 1b, que é muito menos PRECISO do que o ILS de Guarulhos e Galeão, pois os pilotos terão que ver a pista quando estiverem na altura de 60 metros na Rampa. Esta altura mínima é chamada DH = Decision Height ( Altura de Decisão ). É assim chamada porque se os pilotos não conseguirem ver pelo menos as luzes de cabeceira da pista, o Pilot-Flying deverá decidir arremeter ( subir ). Pouso manual também.

Observação:

Depois que o avião é alinhado na pista para decolar, acaba a função Co-piloto que é apenas administrativa. Existirão o Pilot-Flying e o Pilot-Not-Flying, que poderá ser qualquer dos dois pilotos. Ambos receberam o mesmo tipo de treinamento. Não existe treinamento para Co-piloto na Flight Safety Intenational Academy. Cada piloto treina nos simuladores como comandantes.

No Brasil há apenas 16 aeroportos homologados para operação ILS Categoria 1b.
Funcionamento do sistema ILS.

Para um avião pousar, estando voando dentro de condições meteorológicas adversas, tais como NEVOEIRO, chuva, fumaça, etc., os pilotos necessitam de um auxílio eletrônico para encontrar o Eixo da Pista, chamado LOCALIZER, em inglês. Após o avião encontrar e estabilizar o vôo no curso do LOCALIZER ( linha eletrônica com rumo em graus do Eixo da Pista ), os pilotos precisarão de uma Rampa de Planeio ( também eletrônica, em inglês GLIDE SLOPE ) para fazerem a descida da aeronave ao longo do Eixo da Pista, em total segurança, não se desviando para qualquer dos lados do Eixo da Pista e nem para cima, nem para baixo da Rampa de Planeio.

O avião DEVE passar sobre a cabeceira da pista na altura de 50 pés = 15 metros. DEVE tocar a pista antes das BARRAS BRANCAS largas uma de cada lado do Eixo da Pista à distância de 300 metros da cabeceira, chamadas TDZ = Touchdown Zone. Caso toque depois da TDZ, os pilotos terão que usar os freios além do recomendado podendo até mesmo "varar" a pista. O correto é arremeter se perceber que vai tocar na pista depois da TDZ.
Há 4 lâmpadas do lado ESQUERDO da pista que servem para orientar os pilotos logo que o avião sai do nevoeiro, chuva ou fumaça e significam que o avião está voando:
- corretamente na Rampa de Planeio, quando as 2 lâmpadas próximas da pista estão VERMELHAS e as 2 lâmpadas mais afastadas estão BRANCAS.

- Se as 4 lâmpadas ficarem BRANCAS, o avião está voando ACIMA da Rampa.
- se as 4 lâmpadas ficarem VERMELHAS, o avião está voando ABAIXO da Rampa. Risco de colisão com os prédios, antenas, etc..
O conjunto de postes e lâmpadas antes da cabeceira da pista é chamado ALS - Approaching Light System = Sistema de Luzes de Aproximação. Em cada poste há uma lâmpada especial que acende numa seqüência de retardo de modo que os pilotos vêem dentro da chuva, nevoeiro ou fumaça apenas uma "bola" de luz brilhante movimentando-se rapidamente na direção do Eixo da Pista. Dentro da aeronave no painel de instrumentos há um receptor dos sinais eletrônicos do Eixo da Pista ( LOCALIZER ) e da Rampa de Planeio ( GLIDE SLOPE ), representados por um ponteiro VERTICAL que simboliza o Eixo da Pista e outro ponteiro HORIZONTAL que simboliza a Rampa de Planeio. O avião estará voando corretamente na aproximação para pouso, dentro da chuva, quando os dois ponteiros estiverem cruzados nos seus centros. Veja no Arquivo Anexo a imagem ilustrativa.

Se o ponteiro VERTICAL mover-se para DIREITA, foi o avião que saiu do Eixo da Pista para ESQUERDA e vice-versa. Se o ponteiro HORIZONTAL mover-se para CIMA, foi o avião que desceu ABAIXO da Rampa de Planeio ( Risco de Colisão com prédios ). Se o ponteiro mover-se para BAIXO, o avião está voando acima da Rampa ( se continuar, não conseguirá chegar na cabeceira da pista na altura de 50 pés = 15 metros ) e não pousará conforme as normas.

Dentro da chuva os pilotos têm que ficar com "olhos grudados" nestes dois ponteiros. Mantendo os ponteiros cruzados nos seus centros, a aeronave irá passar a cabeceira da pista na altura de 50 pés = 15 metros e no Eixo da Pista.

Crianças e adolescentes, gostarão de fazer isso em simulador de vôo. É muito fácil, quando não existe vento de través, nem chuva com turbulência.
O que o passageiro precisa saber e sensibilizar-se é que o piloto segue REGRAS e não seguí-las, coloca a segurança de todos á bordo em risco. Se o piloto decidir por arremeter ou nem mesmo tentar fazer a aproximação para o pouso, agradeça e aplauda, pois existe uma "turma" de pilotos que se sentem envergonhados ao tomar tal atitude e terminam colocando todos em risco fatal.

Todos os pousos no aeroporto de Congonhas, cujos aviões derraparam na pista molhada, aconteceram por causa da VAIDADE dos Pilot-Flying. Não decidiram pelo correto procedimento de aguardar em órbita ( uma espécie de "prateleira" em forma de hipódromo ( não é círculo) com vários aviões voando com separação vertical de 300 metros ) ou seguir para outro aeroporto nas proximidades.

Quando os aviões chegam num aeroporto com muitos aviões para pousar, os Controladores de Tráfego Aéreo mandam os pilotos desses aviões ficarem voando em ÓRBITA nessa espécie de "PRATELEIRA" ( isto é normalmente feito sobre uma antena de rádio-farol ). Conforme o nível mais baixo da "PRATELEIRA" vai sendo desocupado, o avião logo acima desce para o nível desocupado e continua em ÓRBITA até o Controlador de Vôo AUTORIZAR a Aproximação Final para o pouso. A aproximação final e descida no ILS é pormenorizada num pequeno mapa ( chamado Carta de Pouso por Instrumentos ) com instruções de: velocidade, rumos em graus, altitudes, sentido de curvas, tempo cronometrado em segundos para se fazer as curvas e diversas etapas da fase de aproximação até o pouso.

Trabalho árduo, e pior ainda quando há neve, pois os motores e asas não gostam de gelo. Perdem a performance. Pessoas estando no solo, à noite, têm a ilusão de que os aviões que estejam fazendo órbitas na "prateleira" estão quase se colidindo. É apenas uma ilusão de ótica noturna. Estão separados por 1.000 pés = 300 metros. E um avião somente desce para o nível inferior da "prateleira" depois que esta esteja desocupada e com a AUTORIZAÇÃO do Controlador de Tráfego Aéreo que também nestas condições adversas têm trabalho árduo.

Aeroportos como os de Goiânia, Vitória, Acarajú, Maceió, São Luis, Teresina, Ilhéus, Porto Seguro, João Pessoa, Santarém, Uberlândia, Palmas, Imperatriz, Maringá, Joinville, Ribeirão Preto, Marília, Pampulha(BH), Santos Dumont e muitos outros não têm sistema de Pouso de Precisão por Instrumentos. Isto significa que em caso de condições meteorológicas adversas as dificuldades para efetuar pousos serão maiores. Nesses aeroportos o sistema é dito de Não-Precisão. O ponto na descida na trajetória final para o pouso, situa-se muito mais alto do que no sistema ILS e é chamado MDA = Mínimum Descent Altitude ( Altitude Mínima de Descida ).

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